Áreas de atuação

Casos de negligência médica e hospitalar

Identificar um erro médico pode ser difícil, já que muitos procedimentos envolvem riscos inerentes. Abaixo estão as principais categorias de casos que analisamos — cada uma com sinais de alerta que ajudam você a entender se o seu caso pode ter viabilidade técnica e jurídica.

Erros em cirurgia

O erro fica caracterizado quando ocorre falha no planejamento ou na execução de um procedimento cirúrgico — como a intervenção em um órgão saudável no lugar do órgão doente. Estudos mostram que a simples conferência de informações básicas antes da cirurgia pode reduzir pela metade o número de complicações por erro médico. São falhas que nada têm a ver com o risco inerente ao procedimento, e sim com imprudência, negligência ou imperícia da equipe envolvida.

  • Cirurgia realizada em local ou órgão errado
  • Esquecimento de gaze, compressa ou instrumento no corpo
  • Perfuração ou remoção de órgão saudável
  • Amputação além do necessário
  • Uso de instrumental ou material inadequado
  • Aplicação de medicamento errado durante o procedimento
Instrumentos cirúrgicos sobre campo estéril

Cirurgia plástica e procedimentos estéticos

A cirurgia plástica de embelezamento é entendida pela jurisprudência como obrigação de resultado, e não apenas de meio: quem procura o procedimento já saudável busca um resultado específico, e não somente que o profissional atue com diligência. A legislação dispõe que aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito ou causar prejuízo a outrem, fica obrigado a reparar o dano. Quando a cirurgia gera deformidade, assimetria importante, necrose, infecção evitável ou exige nova cirurgia, é possível haver direito à reparação pelos prejuízos estéticos, funcionais, emocionais e financeiros.

  • Implante de silicone deslocado ou rompido
  • Assimetria grave (mamas, pálpebras, abdômen)
  • Cicatrizes deformantes
  • Infecção pós-operatória
  • Necrose de tecido
  • Perda de sensibilidade
  • Resultado muito diferente do combinado
  • Necessidade de cirurgia corretiva

Para avaliar seu caso, normalmente analisamos:

  • Qual cirurgia foi realizada
  • Quando ocorreu o procedimento
  • Quais complicações ou danos surgiram
  • Se houve necessidade de cirurgia corretiva
  • Se você possui exames, prontuário ou fotos

Erros de diagnóstico

Sempre que o médico, por ação ou omissão, agir com negligência, imprudência ou imperícia, resta caracterizada sua responsabilidade pelos danos causados ao paciente. Muitas vezes o erro antecede o próprio tratamento e se restringe ao diagnóstico errado que pode representar grave violação à saúde e à vida privada do paciente. A identificação equivocada de uma patologia, com recomendação de tratamento ineficiente ou desnecessário, também gera dano passível de indenização.

  • Diagnóstico tardio de doença grave
  • Exame mal interpretado ou trocado
  • Ausência de exames complementares necessários
  • Tratamento iniciado com base em diagnóstico incorreto

Negligência hospitalar

Um hospital não presta apenas serviços de hotelaria: é fornecedor do equipamento e instrumental cirúrgico, empregador da equipe e credenciador do corpo médico — por isso responde por tudo o que ocorrer durante a internação, especialmente quando há dano à saúde ou à vida do paciente. Por serem prestadores de serviço de saúde, hospitais e clínicas estão sujeitos ao Código de Defesa do Consumidor, inclusive quanto à inversão do ônus da prova e à responsabilidade objetiva — ou seja, independentemente de culpa, salvo caso fortuito ou força maior.

  • Infecção hospitalar adquirida durante a internação
  • Queda do leito por falta de vigilância
  • Erro de enfermagem (medicação, curativo, monitoramento)
  • Defeito em equipamento ou material hospitalar
  • Troca de pacientes, exames ou procedimentos
  • Intoxicação alimentar durante a internação
Equipe em centro cirúrgico de hospital

Erro em tratamento médico e medicamentoso

Erro em tratamento ocorre quando o profissional de saúde age com negligência, imprudência ou imperícia durante o acompanhamento clínico, o uso de medicamentos, terapias ou qualquer outra forma de cuidado — não se trata apenas de falhas em cirurgias ou diagnósticos, mas de falhas no próprio processo de tratar o paciente. Esses erros podem agravar o quadro clínico, causar sequelas permanentes, internações desnecessárias e até morte.

  • Medicamento inadequado ou em dosagem errada
  • Falta de acompanhamento da evolução do paciente
  • Suspensão precoce do tratamento
  • Terapia ou procedimento não indicado para o caso
  • Desatenção a reações adversas graves
  • Troca de medicamentos em hospitais
  • Tratamento que piora a condição em vez de melhorar
Profissional de saúde com estetoscópio

Erro obstétrico e no parto

A gestação, o parto e o puerpério exigem acompanhamento técnico rigoroso. A negligência nessas fases pode causar lesões graves e, em muitos casos, irreversíveis, tanto para a mãe quanto para o bebê — sendo uma das áreas mais sensíveis da responsabilidade médica.

  • Ausência de acompanhamento adequado no pré-natal
  • Demora na indicação de cesárea quando necessária
  • Uso inadequado de fórceps ou manobras de parto
  • Lesões neurológicas no recém-nascido por falta de oxigenação
  • Hemorragia pós-parto não controlada a tempo
  • Óbito materno ou neonatal evitável

Erro de anestesia

A anestesia é uma das etapas de maior risco em qualquer procedimento. Erros de dosagem, monitoramento inadequado durante o ato anestésico ou falha na avaliação pré-anestésica podem causar sequelas neurológicas graves ou até óbito — e, justamente por isso, exigem análise técnica minuciosa para apurar a causa real da complicação.

  • Dosagem incorreta do anestésico
  • Falta de monitoramento durante o procedimento
  • Ausência de avaliação pré-anestésica adequada
  • Complicação respiratória ou cardíaca não identificada a tempo

Emergência, pronto-socorro e UTI

Em situações de urgência, cada minuto conta. A demora no atendimento, uma triagem incorreta da gravidade do caso ou a recusa de atendimento (omissão de socorro) podem agravar o quadro do paciente de forma irreversível. Dentro da UTI, a falta de monitoramento contínuo e a demora na resposta a intercorrências também caracterizam negligência.

  • Demora excessiva no atendimento emergencial
  • Triagem incorreta da gravidade do caso
  • Recusa de atendimento (omissão de socorro)
  • Falta de equipamentos ou recursos básicos disponíveis
  • Monitoramento inadequado em UTI
  • Demora na resposta a intercorrências (parada cardíaca, AVC)

Erro odontológico

Tratamentos odontológicos também estão sujeitos à responsabilização civil quando há falha técnica. Implantes malsucedidos, tratamentos de canal com sequelas, extrações equivocadas e próteses mal ajustadas podem gerar dano funcional e estético indenizável.

  • Extração de dente errado
  • Falha em implante dentário
  • Lesão em nervo durante procedimento
  • Infecção decorrente de falta de assepsia

Erros em exames laboratoriais e de imagem

Resultados trocados, laudos com erro de interpretação ou demora injustificada na entrega de exames podem atrasar diagnósticos e tratamentos, agravando o quadro do paciente. Laboratórios, clínicas de imagem e planos de saúde também podem ser responsabilizados nesses casos.

  • Troca de resultados entre pacientes
  • Erro de interpretação laboratorial
  • Demora injustificada na entrega de exames urgentes

Óbito por erro médico

Em casos graves, que envolvam lesão grave ou morte, o profissional pode responder tanto na esfera cível — com indenização à família por danos morais e materiais — quanto na esfera criminal, por lesão corporal ou homicídio culposo. A família tem o direito de buscar essa responsabilização e reunir as provas necessárias com o apoio de uma equipe jurídica especializada.

  • Morte durante ou logo após procedimento cirúrgico
  • Óbito por infecção hospitalar não tratada a tempo
  • Óbito por diagnóstico tardio de doença grave
  • Óbito materno ou neonatal evitável

Reconhece algum desses sinais no seu caso?

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